Excess capacity

NOAH BECKER
Whitehot Magazine

Noah Becker: “I’ve been thinking a lot about all the disenfranchised mid-career artists.”

Sobre o ‘despedimento coletivo’ dos artistas e galerias que não são nem jovens promessas, nem mitos consagrados.

Este problema, que vem sendo matéria de discussão e alarme crescente, são, na realidade, dois:

— um período, mais ou menos longo, de declínio de alguns modelos de produção, comércio e consumo, nomeadamente dos objetos artísticos,

— e a profunda transição climática, tecnológica, demográfica e social em curso.

Neste cenário, percebe-se facilmente que há um excesso de produção de capacidade, isto é de artistas, escolas, docs e pós-docs, galerias, museus, curadores, críticos, historiadores, dealers e publi-repórteres para o qual não existe solução diferente de uma *destruição criativa* desta capacidade produtiva, que não é apenas simbólica, mas também comercial, e a eventual emergência de novos paradigmas para a criação, o mercado e o usufruto das artes.

Sem mergulharmos no detalhe das causas desta transformação será muito difícil escapar ao naufrágio coletivo de um paradigma, na realidade envelhecido e já só quase entregue à especulação e à manipulação numa realidade social enclausurada na chamada economia da atenção, e no pseudo gosto, volátil, das multidões.

Podemos aceitar que a Arte Bruta, de índole essencialmente terapêutica continuará a ser uma opção individual, mas como base mercantil está esgotada. Por sua vez, a Arte Social mantém, por assim dizer, o seu potencial educativo, mas depende cada vez mais da sustentação financeira dos governos que dela se servem para dar coerência e paz às sociedades. Por fim, a Analítica da Arte caminha inexoravelmente para uma espécie de simbiose entre humanos e máquinas — é o vetor que presentemente me ocupa.

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