Manuel Casimiro e os espelhos da Casa Barbot

Manuel Casimiro. No fio da navalha – Espiral, 2026

No enquadramento da ambiciosa visão cultural que Filipe Menezes, o regressado autarca de Gaia, tem para a Rive Gauche do Porto, convidar o artista que reside nesta cidade, Manuel Casimiro, para inaugurar a restaurada Casa Barbot, foi uma pedrada no charco que o Manuel venceu olimpicamente enchendo aquela relíquia da nossa Arte Nova com uma notável exposição, mostrando-nos a obra de um artista que não envelhece e demonstra às gerações mais novas como vencer desafios com boas ideias, inovação e uma experiência artística consolidada. A nova série de pinturas — técnicas mistas —, nascidas no seu iPad, transportadas para a tela por um impressor meticuloso e, por fim, seladas no estúdio com os ovóides pintados a acrílico por Manuel Casimiro, revela uma frescura pictórica surpreendente. Mas há mais. A série Animais Ferozes, que finalmente saltou do atelier para o mundo das exposições, demonstra a vitalidade de um autor que nunca se acomodou e se mantém saudavelmente provocador, sem medo de experimentar novos materiais e linguagens. Por fim, a obra de 2003, “No fio da navalha – Espiral”, por si só, exige uma visita à Casa Barbot.

Manuel Casimiro. Homenagem a Hockney/ Mr and Mrs Clark and Perry, 2026

Menezes quer coroar esta entrada de leão nas artes que vão honrar a cidade de Gaia, nomeadamente com a recuperação da casa onde viveu o genial escultor Soares dos Reis, com um Guggenheim! Eu, sobre isto, prudentemente, recomendaria ao autarca que escalou o Everest que apostasse verdadeiramente numa ideia de futuro. Há uma inflação de museus da dita arte contemporânea em Portugal insustentável e a rondar o insuportável. Não há construtor civil que não faça um! Pense, caro autarca, como se estivesse no alto de uma montanha (tema que Manuel Casimiro tratou, aliás, de forma admirável numa série que podemos ver parcialmente nesta sua exposição). Construa um centro de arte e inteligência artificial de nível mundial absoluto!

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