
(Foto: AC-P, 2026)
Letalidade de Conflitos no Mundo
(1999–2025)
| Conflito / Região | Período de Pico (no intervalo) | Estimativa Total de Mortos (1999-2025) | Fração Civil Estimada | Fração Combatente Estimada | Dinâmica Principal da Letalidade (1999-2025) |
|---|---|---|---|---|---|
| Guerra na R.D. Congo (Segunda Guerra e Crise do Leste) | 1999–2025 | ~3.500.000 a 5.000.000 | ~85% a 90% (causas indiretas) | ~10% | Maior mortalidade desde a II Guerra Mundial. O colapso total da saúde gerou crises de fome e epidemias crónicas ( cólera/ Ébola). |
| Guerra de Tigray (Etiópia) | 2020–2022 | ~600.000 a 800.000 | ~80% (fome extrema e bloqueios) | ~20% | Considerada a guerra mais letal do século XXI. Marcada por um cerco humanitário absoluto que dizimou populações civis. |
| Guerra Civil da Síria | 2011–2025 | ~500.000 a 614.000 | ~40% (diretos) / ~60% (totais) | ~60% | Campanhas de bombardeamento massivo em grandes centros urbanos e guerra de desgaste convencional. |
| Invasão e Guerra na Ucrânia | 2014–2025 | ~500.000 a 750.000 | ~15.000 a 20.000 (diretos documentados) | ~95% (mais de 450k russos e ~140k ucranianos mortos) | Escalou após a invasão russa de 2022. Tornou-se uma guerra industrial de alta intensidade; esmagadora maioria das baixas é militar. |
| Guerra do Iraque e Insurgência | 2003–2025 | ~300.000 a 500.000 | ~75% a 80% | ~20% | Invasão por forças internacionais, seguida de décadas de terrorismo sectário urbano e da campanha de destruição do ISIS. |
| Guerra do Afeganistão | 2001–2021 | ~170.000 a 240.000 | ~35% (diretos) | ~65% (Talibã e forças da NATO) | Campanhas prolongadas de contrainsurgência, culminando na retirada ocidental e no retorno dos Talibã em 2021. |
| Guerra Civil no Iémen | 2014–2025 | ~377.000 | ~60% (destas, mais de 150k civis por fome extrema) | ~40% (Milícias Houthis vs. Forças da Coligação) | Crise humanitária aguda gerada por bloqueios portuários e destruição da infraestrutura básica de saneamento. |
| Guerra de Darfur e Crise do Sudão | 2003–2025 | ~450.000 a 550.000 | ~80% | ~20% | Soma o genocídio histórico de Darfur (2003) às vagas ultra-violentas da nova guerra civil iniciada em 2023. |
| Insurgência do Boko Haram | 2009–2025 | ~40.000 (diretos) / ~350.000 (indiretos) | ~85% | ~15% | Foco na bacia do Lago Chade, com o colapso agrícola a ditar a maioria das mortes de civis. |
| Guerra Civil do Sudão do Sul | 2013–2020 | ~380.000 a 400.000 | ~80% | ~20% | Violência étnica generalizada pós-independência, resultando em execuções em massa e em graves crises alimentares. |
| Guerra Somali (vs. Al-Shabaab) | 2006–2025 | ~80.000 a 110.000 | ~70% | ~30% | Conflito assimétrico persistente com carros-bomba na capital e sequestro de rotas de abastecimento alimentar. |
| Conflito Israel-Palestina (inclui Gaza pós-outubro de 2023) | 2000–2025 | ~85.000 | ~80% (~65.000 civis palestinianos e israelitas) | ~20% | O balanço histórico de 20 anos foi completamente quebrado após a escalada militar que se seguiu a outubro de 2023. |
Padrões Globais de Letalidade (1999–2025)
- O “Inimigo Invisível” em África: Em conflitos como os do Congo e do Sudão, o número de combatentes mortos é inferior a 20%. O verdadeiro fator letal nestes territórios é a destruição intencional de infraestruturas, que gera fome e epidemias em massa.
- O Regresso da Guerra Industrial à Europa: O conflito na Ucrânia inverteu completamente a tendência do século XXI. Trata-se de uma guerra regular de alta intensidade de desgaste, em que as baixas militares (combatentes) superam largamente as mortes civis diretas, assemelhando-se às dinâmicas das I e II Guerras Mundiais.
Não houve nem há nenhum genocídio na Palestina
Mais de nove milhões e setecentos mil pessoas morreram em conflitos militares e civis nos últimos 26 anos. Destes, 85 mil morreram —isto é, menos de 1%— (até agora) na última guerra entre islâmicos radicais e israelitas em consequência do massacre infligido pelo Hamas a civis indefesos na manhã de 7 de outubro de 2023 (Wikipédia).
A obsessão e o enviesamento da atenção dedicada à questão palestiniana nascem, por assim dizer, da representação digital deste conflito.
A tabela acima sobre o número de grandes conflitos e guerras no mundo desde 1990 (com a ajuda do Gemini/Google) revela um impressionante número de mortos. São milhões! A que haverá que somar ainda mais milhões de feridos, desaparecidos e refugiados de guerra. E no entanto, é a resposta desproporcional de Israel à guerra assimétrica e ao terrorismo do Hamas e do Irão que domina a imprensa e as redes sociais, estimulando, por outro lado, o regresso do antissemitismo entranhado há séculos na história social e política da Europa, de Lisboa a Moscovo.
Resposta da IA do Google às minhas perguntas:
A disparidade na atenção mediática aos conflitos é um dos temas mais estudados na geopolítica da comunicação. Existe um fenómeno amplamente documentado a que os analistas chamam “enviesamentos de cobertura”, que faz com que as guerras envolvendo potências globais ou localizadas em regiões com forte peso económico, histórico e cultural para o Ocidente dominem os noticiários. Por outro lado, crises humanitárias com milhões de mortos em solo africano sofrem frequentemente daquilo a que a ONU chama “crises esquecidas”. [1, 2]
Os conflitos assinalados na tabela acima podem ser divididos em três grandes escalões de atenção mediática global:
1. Nível Hipermediático (Cobertura Global Total e Contínua)
Estes conflitos receberam uma cobertura em tempo real, dominando as primeiras páginas e os blocos informativos internacionais de forma quase ininterrupta: [2]
* Invasão e Guerra na Ucrânia: Recebeu a maior e mais intensa cobertura mediática do século XXI. Por se tratar de uma invasão estatal direta em solo europeu, envolver uma potência nuclear (Rússia) e afetar diretamente a segurança da NATO e a economia global (crises energéticas e de cereais), os recursos mediáticos ocidentais foram mobilizados a uma escala sem precedentes. [3]
* [Conflito Israel-Palestina (Especialmente pós-2023)]: Apesar de ter um número de fatalidades acumuladas historicamente inferior ao das grandes guerras em África, atrai uma atenção mediática desproporcionalmente elevada. Isto deve-se ao profundo significado religioso e histórico da região, ao envolvimento e apoio financeiro/militar dos EUA, à capacidade de contágio regional (Irão, Líbano) e ao impacto emocional global amplificado pelas redes sociais. [3, 4, 5, 6]
* [Guerra do Iraque (2003)]: A invasão liderada pelos EUA foi o evento mediático definitivo da década de 2000, popularizando o conceito de jornalistas “embedded” (integrados nas unidades militares) e transmissões de bombardeamentos em direto (como o choque e pavor em Bagdade) na televisão por cabo. [7]
2. Nível Mediático Alto a Moderado (Cobertura Focada/Geopolítica)
Conflitos que tiveram picos massivos de atenção quando afetaram interesses de segurança internacionais, mas cuja cobertura tendeu a declinar com o tempo:
* [Guerra Civil da Síria]: Teve uma cobertura enorme entre 2012 e 2017 devido à ascensão do ISIS, à intervenção militar da Rússia e, crucialmente, à crise de refugiados que atingiu a Europa, o que tornou o conflito um tema central da política interna europeia.
* [Guerra do Afeganistão]: Teve picos mediáticos extremos no seu início (2001, no contexto do 11 de setembro) e no seu desfecho (2021, com as imagens dramáticas da retirada das tropas ocidentais e civis no aeroporto de Cabul). Nos anos intermédios, tornou-se uma “guerra invisível” de baixa intensidade nos media.
* Guerra de Darfur (Sudão – 2003): Um caso raro em que um conflito africano gerou enorme tração mediática nos anos 2000, impulsionado por fortes campanhas de celebridades de Hollywood (como George Clooney) e movimentos civis que pressionaram os governos ocidentais a classificar a crise como o primeiro genocídio do século XXI.
## 3. Nível de “Silêncio Mediático” (As Crises Invisíveis)
Apesar de registarem os números de mortos mais dramáticos de toda a lista, estes conflitos raramente abriram os telejornais internacionais: [1]
* Guerra na R.D. Congo: É o exemplo mais extremo de assimetria mediática. Apesar de ter causado milhões de mortes (o conflito mais letal desde a II Guerra Mundial), a sua cobertura na imprensa generalista internacional foi e continua a ser residual. Especialistas apontam a falta de interesse geopolítico direto das grandes potências e a complexidade do mosaico de milícias como razões para o desinteresse dos media.
* [Guerra de Tigray (Etiópia)]: Embora tenha sido a guerra mais letal do mundo entre 2020 e 2022 (com até 800.000 mortos), decorreu sob um bloqueio total de comunicações e internet imposto pelo governo etíope. Sem imagens e sem acesso a jornalistas estrangeiros, a guerra permaneceu quase inteiramente oculta do público global enquanto acontecia.
* Guerra Civil no Iémen e [Insurgência do Boko Haram]: Recebem cobertura esporádica e muito técnica, frequentemente limitada a relatórios de agências humanitárias sobre a fome, sem o mesmo apelo visual ou emotivo gerado por conflitos na Europa ou no Médio Oriente. [1, 2, 8]
*
[1] [https://www.facebook.com](https://www.facebook.com/ReutersInstitute/posts/-by-some-estimates-there-are-more-conflicts-taking-place-globally-than-at-any-ti/1479893066933545/)
[2] [https://www.academia.edu](https://www.academia.edu/…/The_search_for_common_ground…)
[3] [https://www.centralbank.ie](https://www.centralbank.ie/…/quarterly-bulletin-q1-2026)
[4] [https://www.britannica.com](https://www.britannica.com/…/list-of-prime-ministers-of…)
[5] [https://www.researchgate.net](https://www.researchgate.net/…/256473531_Social_Media…)
[6] [https://en.wikipedia.org](https://en.wikipedia.org/…/List_of_ongoing_armed_conflicts)
[7] [https://www.watchmojo.com](https://www.watchmojo.com/…/top-24-historic-events-of…)
[8] [https://theconversation.com](https://theconversation.com/global-media-networks…)
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