Para onde vai a consciência?

A morte e a vida (big bang)?

Eu
Domingo de Pascoa, 5 de abril de 2026

Que penso, enquanto ateu, sobre a morte?
Quando morremos, o que definitivamente colapsa, desaparece, cai no nada, o que morre é a consciência individual de cada um. A extinção definitiva da consciência ocorre antes, ou mesmo muito antes, da desintegração do corpo. Tudo o resto se transforma e permanece de outra forma, enquanto o universo continua a existir.

Se a vida não for insuportavelmente dolorosa, devemos vivê-la com otimismo, humor e empatia pelos outros. Devemos amar o outro, se este não nos odiar nem pretender, por natureza ou estratégia, destruir a nossa existência ou quem amamos. Assassinar quem vai nascer não deve ser encarado como um ato trivial, pois seria uma forma de suicídio do ponto de vista da espécie. Mas há circunstâncias que justificam um ato extremo como o aborto. Nestes e noutros dilemas precisamos de uma moral social forte e de leis justas.

O mesmo deve ser dito sobre a eutanásia, que defendo, ainda que sob condições estritas. Conhecendo o oportunismo humano, sei que a eutanásia terá de ser bem legalizada e melhor regulada, sob pena de resvalar para um negócio sem escrúpulos.

Sim, tudo se transforma no nosso universo inflacionário. Mas a vida, dada a sua excecionalidade absoluta, é uma obra de arte que devemos saudar e proteger acima de tudo. Provavelmente não haverá mais vida no resto do nosso universo. Quanto aos outros universos que possam existir, nada sabemos.


Where does consciousness go when we die?

Death and life

What do I think, as an atheist, about death?
When we die, what definitively collapses, disappears, falls into nothingness, what actually dies, is each person’s individual consciousness. The final extinction of consciousness occurs before, or even long before, the disintegration of the body. Everything else is transformed and persists in another form, while the universe goes on existing.

If life is not unbearably painful, we should live it with optimism, humour, and empathy for others. We should love the other, provided they do not hate us, nor seek, by nature or by design, to destroy our existence or those we love. Killing those who are about to be born should not be treated as a trivial act; from the point of view of the species, it would amount to a kind of suicide. Yet there are circumstances that justify an extreme act such as abortion. In these and other dilemmas we need a strong social morality and just laws.

The same must be said of euthanasia, which I support, albeit under strict conditions. Knowing human opportunism, I am aware that euthanasia will have to be tightly enshrined in law and even more tightly regulated, or else it will slide into a ruthless business.

Yes, everything is transformed within our inflationary universe. But life, given its absolute exceptionality, is a work of art that we ought to salute and protect above all else. There is probably no further life anywhere else in our universe. As for whatever other universes may exist, we simply do not know.

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