Diagram for Transcendental Consciousness — Kevin Lynch
O caminho individual em direção à santidade, em direção à reconciliação universal, em direção à paz, à consciência, e à luz, é uma consequência direta do nascimento das sociedades humanas, mas só se torna uma realidade prática quando é partilhado, e a esta partilha (religare) chamamos religião, a base mental e sensorial de qualquer formação social. Não sabemos se os outros seres, archea, animais, plantas e pedras pensam, mas sabemos que seguem caminhos e mudam de forma, e por vezes de composição, ao longo dos tempos, o que pode ser por nós intuído como manifestação perene de uma ordem transcendental. Os rituais humanos religiosos, de que a MT de que fala Kevin Lynch é uma das inúmeras maneiras de agregar as comunidades em volta de uma narrativa fixa da realidade e da morte, estabelecem uma ponte essencial entre corpo e mente. Os mantras, como as orações, e as primeiras histórias que as nossas mães nos contam quando ainda não entendemos as palavras, são os necessários andaimes da nossa consciência, verbalizada ou não. As religiões confinam as tribos aos respectivos espaços-tempos, e começam sempre com uma história sobre o mundo e o lugar que nele ocupamos. Ler Lévi-Strauss ajuda-nos a entender esta origem da consciência social e dos mitos e formas dignificantes. No ponto em que estamos da evolução humana, os pilares da sabedoria, porém, já não são os mesmos das religiões tradicionais, milenares ou centenárias. Continuo a pensar que estes pilares são três: a filosofia, a ciência e a arte.
