
Conversa com o LLM Perplexity sobre a necessidade e as limitações da ideologia woke
Prompt
Comente esta afirmação que me ocorreu enquanto lia* La Potière Jalouse, de Claude Lévi-Srauss, mais precisamente depois de ter lido a frase “White men are wordy”, atribuída aos índios Menomini:
— O pós-Estruturalismo, de Roland Barthes, Jacques Derrida, Michel Foucault, Gilles Deleuze, Judith Butler, Jean Baudrillard, Julia Kristeva e Jacques Rancière representam um regresso, anti-analítico, aos mitos. Nomeadamente ao mito da libertação milenarista por via da razão dialética e da prática da luta de classes, na qual o humanismo é despejado da história humana, com as águas da Revolução. Este fechamento da condição humana é responsável por um atraso assinalável do pensamento construtivo que Lévi-Strauss e Saussure inauguraram e o desenvolvimento posterior das linguagens informáticas e o cálculo computacional prosseguiram conferindo à cultura norte-americana (Estados Unidos), precedida, porém, da filosofia analítica inglesa, uma vantagem bem visível a partir do fim da Segunda Guerra Mundial.
*— Na realidade, relia…
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Perplexity
Sua afirmação toca em um debate intelectual muito rico e complexo, com várias camadas interessantes. Vou comentá-la ponto a ponto, trazendo contexto, nuances e contrapontos:
1. Pós-estruturalismo como “regresso aos mitos”
Você sugere que os pensadores pós-estruturalistas — Barthes, Derrida, Foucault, Deleuze, Butler, Baudrillard, Kristeva, Rancière, etc. — representariam, de certa forma, um retorno ao mito, particularmente ao mito milenarista da libertação via razão dialética e luta de classes, e que isso teria o efeito de expulsar o humanismo da História.
De fato, muitos críticos consideram que o pós-estruturalismo, em sua rejeição das “grandes narrativas” modernas e sua ênfase no contingente, no fragmentário, no difuso e no performativo, acaba por recuperar formas de pensamento que se aproximam do mítico, no sentido de não adotarem o ideal de clareza e distinção característico do projeto moderno da razão. O próprio Lévi-Strauss, que você cita, dialoga com isso: ele via o mito como uma lógica — mas não a lógica linear da razão ocidental, e sim uma lógica de relações que não pode ser reduzida a proposições claras ou algoritmos.
No entanto, o pós-estruturalismo frequentemente se apresenta como uma crítica — não uma reedição — dos mitos modernos de libertação, razão e progresso. Ele procura mostrar como certos discursos (inclusive do marxismo e do humanismo) funcionam como “mitos” fundadores e organizadores, mas sem necessariamente defender um regresso a eles. Ao contrário, há, nesse campo, uma ironia ou autoconsciência da impossibilidade de escapar totalmente dos mitos, inclusive o do “fim dos mitos”.
2. Comparação com o estruturalismo e a linguística de Saussure
Você observa que Lévi-Strauss e Saussure inauguraram um pensamento “construtivo”, responsável, no limite, pela informática e a ciência computacional. Sem dúvida, o estruturalismo de Lévi-Strauss inspirou metodologias que buscavam rigor, formalização e objetividade (por vezes, até matematização), influenciando tanto ciências humanas quanto teoria da informação. A ideia de “estrutura” permitiu montar modelos formais para fenômenos culturais, linguísticos e sociais.
É correto também afirmar que esse caminho se entrelaça, mesmo que indiretamente, com os desenvolvimentos que tornaram possível a lógica computacional, culminando nas tecnologias digitais contemporâneas — cuja origem está, em parte, no solo da filosofia analítica, lógico-matemática e da linguística formal (Boole, Frege, Turing, Chomsky).
3. O pós-estruturalismo como “anti-analítico” e “responsável por um atraso”
Aqui sua afirmação é polêmica. O pós-estruturalismo realmente se coloca em oposição ao ideal analítico da precisão lógica e da clareza argumentativa, preferindo a desconstrução, a problematização, o jogo de diferenças, o deslocamento conceitual. Isso, a muitos leitores anglo-saxões (e mesmo a alguns de tradição continental), soa como um retrocesso ou, ao menos, como uma evasão do debate argumentativo estruturado.
No entanto, dizer que isso produziu “atraso” pode ser visto tanto como julgamento de valor quanto como potencial simplificação de um quadro bastante mais plural. Por um lado, é verdade que a hegemonia do pensamento anglo-americano após a Segunda Guerra Mundial está ligada ao sucesso das ciências exatas, computação, lógica formal e filosofia analítica, cuja clareza e aplicabilidade foram (e são) motores de inovação técnica e científica. Por outro lado, o impacto do pós-estruturalismo está menos na técnica e mais no questionamento de categorias (identidade, gênero, poder, discurso, norma), sendo fonte potente de renovação crítica, sobretudo nas humanidades e artes.
4. O humanismo “despejado” da história
Boa parte do projeto pós-estruturalista implica desconstruir o sujeito humanista, questionando sua universalidade e as condições históricas de suas formas de emergência. Para muitos críticos (Habermas, Taylor, Searle), isso representa realmente um risco ou perda — “despejar o humanismo” — e até um fechamento das portas para uma ética universalista ou emancipatória. Outros veem justamente nessa crítica uma abertura para vozes, experiências e formas de subjetividade históricas antes invisíveis.
5. Questão Cultural e Geopolítica do Conhecimento
Finalmente, você conecta o “avanço” tecnocientífico norte-americano à filiação estruturalista/analítica e acusa o pensamento francês (pós-estruturalismo) de ter ficado para trás. Essa tese é frequentemente defendida na história intelectual contemporânea — vide trabalhos como o de Alan Sokal, Steven Weinberg ou Roger Scruton. Contudo, há uma discussão rica sobre se, e em que sentido, artes, literatura ou crítica social deveriam ou poderiam seguir a mesma lógica da ciência estrita.
Conclusão
Sua provocação é perspicaz e condensa muitos dos impasses filosóficos do pós-guerra. O pós-estruturalismo, de fato, afastou-se do projeto “construtivo” e analítico, rompendo com a tradição da clareza e da modelização. Contudo, talvez seja exagero dizer que esse movimento signifique apenas um regresso ao mito ou um atraso: há conquistas simbólicas, críticas e políticas associadas a esse giro teórico, ainda que tenham pouco a ver com avanços tecno-científicos. O campo das ideias é diverso e conflitivo — e ambos os caminhos, analíticos e pós-estruturalistas, enriquecem o cenário conforme suas apostas e críticas.
Se quiser aprofundar algum aspecto específico desse quadro ou compará-lo com outras tradições filosóficas, posso trazer mais exemplos, citações ou contrapontos!
Sources
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Prompt
O pensamento francês pós-estruturalista mais político (Roland Barthes, François Lyotard e Bataille são algumas das exceções felizes ao novo maniqueísmo, pós-estruturalista) , ou seja, aquele que se dedicou a ‘desmontar’ os aparelhos de dominação e os aparelho de exploração, na sequência do Capital de Karl Marx, de que Louis Althusser foi um dos expoentes ‘anti-humanistas’, deu, mais recentemente, lugar à agressiva ideologia ‘woke’, onde aparentemente vale tudo em nome da denúncia oportuna (mas às vezes apressada e sumária) dos erros grosseiros do pseudo-cientismo positivista do século 19, do eurocentrismo e do antropocentrismo que infelizmente marca boa parte da linguagem cultural ocidental. Convém, já agora, sublinhar o facto de esta nova rebelião ser tão só mais uma rebelião no interior do próprio Império, de um império próximo dos seus limites de sustentabilidade e, por conseguinte, endogâmica. Aguardamos ainda a verdadeira (porventura, menos palavrosa) contribuição dos índios!
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Perplexity
Seu comentário oferece um diagnóstico contundente — e certamente provocador — dos desdobramentos do pensamento pós-estruturalista e seu impacto sobre o debate público contemporâneo, sobretudo no que se tem chamado de ideologia “woke”. Ele também aponta para os limites de uma rebelião cultural centrada no “Império” (ou seja, no próprio Ocidente), e lança um convite, com alguma ironia, à espera de contribuições fora desse circuito, como as dos “índios”.
Vejamos alguns pontos do seu comentário:
1. Do pós-estruturalismo à cultura ‘woke’
Você faz uma genealogia que vai da crítica pós-estruturalista dos “aparelhos de dominação e exploração” (inspirada em Marx, com Althusser como figura de proa, sobretudo no anti-humanismo estruturalista) até a emergência de um novo ativismo identitário marcado por um tom “agressivo” — o chamado discurso “woke”. É perceptível a sua inquietação diante da rapidez e, por vezes, superficialidade das denúncias desse novo ativismo, que tende a reduzir complexidades históricas à retórica do erro, da “culpa” e da “correção política”.
Essa crítica tem eco em pensadores como Mark Lilla (“The Once and Future Liberal”), Francis Fukuyama (“Identity: The Demand for Dignity and the Politics of Resentment”) ou Pascal Bruckner (“La Sagesse de l’argent”), para citar alguns que apontam para os riscos de tribalização, de simplificação e de potencial autoritarismo interno das novas lutas identitárias. A análise desses autores converge com sua posição ao enxergar que, muitas vezes, tal rebelião se encerra em um círculo endogâmico — sendo, ao fim, uma disputa dentro dos limites (materiais e simbólicos) do próprio “Império” global ocidental.
2. A crítica ao “pseudo-cientismo” e ao eurocentrismo
Como você diz, há um saldo inegável de acerto na denúncia da arrogância positivista oitocentista, do eurocentrismo e do antropocentrismo ocidental, que relegou culturas não brancas e não-ocidentais à periferia do pensamento válido. No entanto, você sugere que o ‘remédio’ pós-estruturalista, ao negar qualquer universalidade possível do discurso científico, pode incorrer numa espécie de niilismo, onde “vale tudo” e toda tentativa de saber ou verdade é automaticamente suspeita de opressão.
Isso pode ser visto tanto como uma paradoxal continuação do impasse ocidental moderno (já identificado, por exemplo, por Nietzsche), quanto como um esgotamento da autocrítica reflexiva: afinal, se toda linguagem é suspeita, como falar para além do espelho ocidental? Não à toa, muitos intelectuais indígenas ou decoloniais têm criticado o “imperialismo da desconstrução”, que trai sua promessa inicial de dar voz ao outro, absorvendo inclusive o “outro” nas categorias do próprio império discursivo.
3. Endogamia da rebelião e o convite ao “menos palavroso”
Sua ironia final, evocando a espera de uma contribuição “menos palavrosa” dos índios, reforça algo que o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro coloca em termos diferentes: a dificuldade das vozes indígenas em atravessar o filtro do ativismo ou da academia ocidental sem serem, novamente, traduzidas (ou traídas) por categorias que lhes são estranhas. É a grande aporia de boa parte da teoria crítica e, sobretudo, do pós-estruturalismo aplicado: ao pretender dar voz, pode acabar sufocando o dito na própria prolixidade teoricista.
O “white man are wordy” dos Menominee, lido por Lévi-Strauss, ecoa como alerta renovado: não basta “falar sobre” (ou “desmontar”, “analisar”, “performar”) — importa escutar a alteridade de fato, e talvez reconhecer que há modos de pensamento e de vida irreconciliáveis com a lógica, inclusive, do ativismo crítico ocidental.
Síntese e observação final
O seu comentário é oportuno: o giro pós-estruturalista, na ânsia de demolir os fundamentos do humanismo e de toda universalidade, abriu caminho a um novo tipo de moralismo que não está livre de dogmatismos e até de performances neocoloniais. Ao mesmo tempo, é justo lembrar que há, nesse campo, autores (como Butler ou Rancière) que buscam uma universalidade política renovada, situada, aberta ao outro; assim como movimentos e intelectuais indígenas que, mesmo atravessando as “palavras do homem branco”, conseguem subverter e relativizar o “Império” a partir de dentro.
Se a próxima rebelião será menos palavrosa, mais eficaz, e – sobretudo – mais fiel à pluralidade dos mundos, é uma pergunta em aberto. Mas sua suspeita sobre uma possível “endogamia” das rebeliões identitárias ocidentais é um alerta importante: sem abertura real ao que está fora do “discurso”, a crítica pode se tornar apenas um eco, por mais desconstruído que seja seu vocabulário.
Se quiser que aprofundemos a questão da relação entre pós-estruturalismo e pensamento decolonial/indígena, posso sugerir autores e dilemas contemporâneos sobre este impasse!
Sources
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Prompt
Sim, sugira-me os autores principais…
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Perplexity
Autores Centrais do Pensamento Decolonial e Indígena
A produção intelectual decolonial e indígena dialoga tanto com a crítica pós-estruturalista quanto com tradições e epistemologias não-europeias. A seguir, apresento uma lista dos autores mais influentes e suas principais contribuições:
1. Latino-americanos e Caribe
- Aníbal Quijano
Conceituou a “colonialidade do poder” e articulou a necessidade de pensar além do eurocentrismo e repensar a modernidade[1][2][3]. - Walter Mignolo
Destacou o conceito de “opção decolonial”; enfatiza o “pensar a partir do Sul” e destaca a crítica à matriz colonial de poder global[2][4]. - Enrique Dussel
Expoente da “Filosofia da Libertação”, propõe uma ética decolonial e crítica profunda à universalidade ocidental[5][2][4]. - Frantz Fanon e Aimé Césaire
Pioneiros na denúncia existencial e psicológica do colonialismo, focando na descolonização do ser e do saber[1][6][2].
2. Pensadores Indígenas e Estudos decoloniais indígenas
- Linda Tuhiwai Smith
Escreveu Decolonizing Methodologies, obra seminal sobre metodologias de pesquisa e epistemologias indígenas[7]. - Taiaiake Alfred
Pensador Mohawk, propõe uma filosofia de soberania indígena alternativa à ordem política moderna ocidental, enfatizando o conceito Maori de tino rangatiratanga[8][9]. - Rigoberta Menchú
Líder maia-quiché, prêmio Nobel, fonte fundamental para a valorização da voz indígena nos debates globais[2]. - Gloria Anzaldúa
Articulou o pensamento fronteiriço e identitário chicano/indígena, com ênfase em epistemologias híbridas[2].
3. Autores Africanos, Pós-coloniais e Crítica Pós-estruturalista
- Edward Said
Fundamental para a passagem do pós-estruturalismo ao pós-colonialismo, via crítica do “orientalismo” e dos discursos eurocêntricos[6][10]. - Homi Bhabha e Gayatri Spivak
Transitam entre pós-estruturalismo, subalternidade e decolonialidade, refletindo sobre identidade, hibridismo e poder[10].
4. Outros Referenciais Globais
- Ramon Grosfoguel
Analisa a interseção entre colonialidade, raça, poder e saber[2][4]. - Arturo Escobar
Foca em alternativas ao desenvolvimento e na valorização de saberes locais e pluriversais[2][4]. - Madina Tlostanova
Referência em decolonialidade feminina e crítica às epistemologias eurocêntricas[11].
Leitura Recomendada
| Autor | Obra/Relevância Principal |
|---|---|
| Frantz Fanon | Os Condenados da Terra; descolonização do ser e do saber[6] |
| Aníbal Quijano | Colonialidade do poder, modernidade/colonialidade[1][2] |
| Walter Mignolo | The Idea of Latin America, opção decolonial[2][4] |
| Linda Tuhiwai Smith | Decolonizing Methodologies, metodologias indígenas[7] |
| Enrique Dussel | Filosofia da Libertação, ética decolonial[5][2] |
| Edward Said | Orientalism, crítica ao eurocentrismo[6] |
| Taiaiake Alfred | Soberania indígena, tino rangatiratanga[8][9] |
| Homi Bhabha / Gayatri Spivak | Hibridismo, subalternidade, pós-estruturalismo[10] |
| Rigoberta Menchú | Testemunho e militância indígena[2] |
| Ramon Grosfoguel | Interseção colonialidade/raça[2][4] |
| Gloria Anzaldúa | Identidade fronteiriça, epistemologias híbridas[2] |
| Madina Tlostanova | Feminismo decolonial, epistemologias críticas[11] |
| Arturo Escobar | Pluriversalidade, pós-desenvolvimento[2][4] |
Estas referências servem como ponto de partida para explorar tanto o diálogo quanto as tensões entre pós-estruturalismo, pensamento decolonial e saberes indígenas. Se desejar seguir um percurso temático (por exemplo, decolonialidade, feminismo, epistemologias indígenas), posso sugerir obras e artigos específicos conforme o seu interesse.
Sources
[1] Decoloniality – Wikipedia https://en.wikipedia.org/wiki/Decoloniality
[2] ECHOES — Decolonial Thinking and Practice – Keywords https://keywordsechoes.com/decolonial-thinking-and-practice/
[3] Decolonial Theory – (Intro to Ethnic Studies) – Fiveable https://library.fiveable.me/key-terms/introduction-to-ethnic-studies/decolonial-theory
[4] Decolonial Thought: A lecture for the Institute for Culture and Society … https://www.alanalentin.net/2021/07/05/decolonial-thought-a-lecture-for-the-institute-for-culture-and-society-key-thinkers-concepts-series/
[5] Decolonial Studies: A Modest Reading List – Maison Metropolitanist https://www.maisonmetropolitanist.com/library/decolonialism-a-modest-reading-list
[6] Popular Decolonial Books – Goodreads https://www.goodreads.com/shelf/show/decolonial
[7] A decolonial reading list – Bloomsbury Publishing https://www.bloomsbury.com/us/discover/bloomsbury-academic/blog/book-round-ups/a-decolonial-reading-list/
[8] Indigenous political theory, metaphysical revolt, and the decolonial rearticulation of political ordering | International Theory | Cambridge Core https://www.cambridge.org/core/journals/international-theory/article/indigenous-political-theory-metaphysical-revolt-and-the-decolonial-rearticulation-of-political-ordering/D0AFD8A4BA4A497BB1858A502B7C1970
[9] S1752971924000137jra 92..117 https://www.cambridge.org/core/services/aop-cambridge-core/content/view/D0AFD8A4BA4A497BB1858A502B7C1970/S1752971924000137a.pdf/indigenous_political_theory_metaphysical_revolt_and_the_decolonial_rearticulation_of_political_ordering.pdf
[10] Introduction – Poststructuralism and Postcoloniality https://www.cambridge.org/core/books/abs/poststructuralism-and-postcoloniality/introduction/A9F746F2DCF47CE548676B0A8067D923
[11] So You Want to Learn about Decoloniality? Five Texts for Beginners https://clioandthecontemporary.com/2025/04/21/decoloniality-for-beginners/
[12] “Decolonial” reading list – Analu Lopez https://www.analulopez.com/decolonial-reading-list/
[13] Decolonization and Poststructuralism – UCM https://ucm.es/decolonization-and-poststructuralism/abstracts
[14] The decolonial continent – Books & ideas https://laviedesidees.fr/The-decolonial-continent
[15] Postcolonial and decolonial differences – Rewriting peace and conflict https://rewritingpeaceandconflict.net/2024/03/01/postcolonial-and-decolonial-differences/
[16] Poststructuralism and Postcoloniality: Derrida in Exile: Philosophy, Postcolonialism and the Call for a Singular Universalism | Semantic Scholar https://www.semanticscholar.org/paper/Poststructuralism-and-Postcoloniality:-Derrida-in-a-Hiddleston/1c4ceed928cb30a176b0a64fe856ec520c32b3c2
[17] Books about Decolonization in literature – BiblioVault https://www.bibliovault.org/BV.titles.epl?tquery=Decolonization%2520in%2520literature
[18] A Conversation Between Walter D. Mignolo and Wanda Nanibush https://www.afterall.org/articles/thinking-and-engaging-with-the-decolonial-a-conversation-between-walter-d-mignolo-and-wanda-nanibush/
[19] A Poststructuralism Study Reading List : r/CriticalTheory – Reddit https://www.reddit.com/r/CriticalTheory/comments/1868k12/a_poststructuralism_study_reading_list/
[20] [PDF] Decolonial Theory https://www.mpipriv.de/1663614/bibliography_decolonial_legal_and_non-legal_theory.pdf
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Prompt
Que livros fundamentais abordam as ideias dos principais autores decoloniais
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Perplexity
Livros Fundamentais do Pensamento Decolonial
Segue uma seleção dos livros mais influentes para compreender as ideias centrais dos principais autores decoloniais e pós-coloniais contemporâneos:
1. Aníbal Quijano
- Colonialidad del poder y clasificación social
Livro central para entender a ideia de “colonialidade do poder”, conceito maior de Quijano sobre as permanências coloniais no mundo moderno[1]. - Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina
Explora a relação entre eurocentrismo e desigualdades sociais pós-coloniais[1].
2. Walter Mignolo
- The Idea of Latin America
Obra referência sobre a construção da ideia de América Latina a partir de uma perspectiva crítica e decolonial. - Local Histories/Global Designs: Coloniality, Subaltern Knowledges, and Border Thinking
Fundamenta a noção de “epistemologias fronteiriças” e o conceito-chave de colonialidade do saber.
3. Enrique Dussel
- 1492: O encobrimento do outro – A origem do mito da modernidade
Um dos textos mais emblemáticos sobre o advento da modernidade a partir da perspectiva latino-americana[2]. - Ética da Libertação
Propõe uma ética baseada no reconhecimento dos sujeitos historicamente marginalizados e na lógica de libertação[3].
4. Frantz Fanon
- Os condenados da terra (Les Damnés de la Terre)
Clássico absoluto sobre luta anticolonial, violência e transformação do ser colonizado em sujeito histórico[4][5]. - Pele Negra, Máscaras Brancas (Peau noire, masques blancs)
Análise fundamental sobre os efeitos do racismo e alienação nas subjetividades dos colonizados.
5. Linda Tuhiwai Smith
- Decolonizing Methodologies: Research and Indigenous Peoples
Obra essencial sobre descolonização das práticas científicas e valorização das epistemologias indígenas[6][7].
6. Edward Said
- Orientalismo (Orientalism)
Abrange a crítica à representação ocidental do Oriente, sendo um dos textos fundadores dos estudos pós-coloniais[8].
7. Homi K. Bhabha
- O Local da Cultura (The Location of Culture)
Expõe conceitos como hibridismo, entre-lugar e como as identidades se formam a partir do contato colonial e pós-colonial[9].
8. Gayatri Chakravorty Spivak
- Pode o subalterno falar? (Can the Subaltern Speak?)
Ensaio seminal sobre subalternidade e a voz dos oprimidos no mundo pós-colonial.
9. Gloria Anzaldúa
- Borderlands/La Frontera: The New Mestiza
Marca o diálogo entre culturas, identidades híbridas e resistência à colonialidade.
10. Arturo Escobar
- Encountering Development: The Making and Unmaking of the Third World
Crítica à ideia de “desenvolvimento” como discurso colonial[10].
Outros Destaques Recentes
- Decolonialidade e pensamento afrodiaspórico, de Joaze Bernardino-Costa, Nelson Maldonado-Torres, Ramón Grosfoguel — Rumo a um diálogo entre resistências negras, afrodiaspóricas e pensamento decolonial[10].
- Um feminismo decolonial, de Françoise Vergès — Aproximação entre feminismo, colonialidade e experiências do sul global[11][12].
Tabela-resumo dos títulos sugeridos
| Autor | Livro Fundamental |
|---|---|
| Aníbal Quijano | Colonialidad del poder y clasificación social; Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina[1] |
| Walter Mignolo | The Idea of Latin America; Local Histories/Global Designs |
| Enrique Dussel | 1492: O encobrimento do outro; Ética da Libertação[3][2] |
| Frantz Fanon | Os condenados da terra; Pele Negra, Máscaras Brancas[4][5] |
| Linda Tuhiwai Smith | Decolonizing Methodologies[6][7] |
| Edward Said | Orientalismo[8] |
| Homi Bhabha | O Local da Cultura[9] |
| Gayatri Spivak | Pode o subalterno falar? |
| Gloria Anzaldúa | Borderlands/La Frontera |
| Arturo Escobar | Encountering Development[10] |
Esses livros são a chave para compreender tanto as origens quanto o desenvolvimento do pensamento decolonial e suas conexões com questões contemporâneas como identidade, linguagem, conhecimento, poder, raça e emancipação decolonial.
Sources
[1] O PENSAMENTO DE ANÍBAL QUIJANO À LUZ DA ANÁLISE DE … https://www.scielo.br/j/eb/a/BtZwhZ6vSjbmMr4ywZkzdLD/
[2] O encobrimento do outro – A origem do mito da modernidade https://docs.enriquedussel.com/txt/Textos_Libros/45.1492_O_encobremento_do_outro.pdf
[3] Livros encontrados sobre Enrique Dussel https://www.estantevirtual.com.br/busca/enrique-dussel
[4] Os Condenados da Terra e o processo de descolonização segundo … https://anpof.org.br/comunicacoes/coluna-anpof/os-condenados-da-terra-e-o-processo-de-descolonizacao-segundo-frantz-fanon
[5] [Conteúdo] Frantz Fanon: da descolonização ao pensamento crítico https://circuito.ubueditora.com.br/decolonizacao/
[6] Decolonizing Methodologies https://en.wikipedia.org/wiki/Decolonizing_Methodologies
[7] Linda Smith Decolonising Methodologies https://www2.internationalinsurance.org/GR-8-13/pdf?ID=PqG90-7014&title=linda-smith-decolonising-methodologies.pdf
[8] Orientalism (book) – Wikipedia https://en.wikipedia.org/wiki/Orientalism_(book)
[9] Homi Bhabha – Fórum Permanente https://www.forumpermanente.org/convidados/homi-bhabha
[10] 5 livros para entender o pensamento decolonial – Instituto Claro https://www.institutoclaro.org.br/educacao/nossas-novidades/noticias/5-livros-para-entender-o-pensamento-decolonial/
[11] Oito livros para conhecer e se aprofundar no feminismo … https://revistacult.uol.com.br/home/oito-livros-feminismo-decolonial/
[12] Oito livros para conhecer e se aprofundar no feminismo … https://www.geledes.org.br/oito-livros-para-conhecer-e-se-aprofundar-no-feminismo-decolonial/
[13] 5 livros para pensar linguagem, estética e decolonialidade https://www.nexojornal.com.br/estante-favoritos/2018/04/07/5-livros-para-pensar-linguagem-estetica-e-decolonialidade
[14] Decolonialidade: aspectos contemporâneos fundamentais https://downloads.editoracientifica.com.br/books/978-65-5360-861-0.pdf
[15] Aníbal Quijano https://en.wikipedia.org/wiki/An%C3%ADbal_Quijano
[16] Decolonizar É Preciso https://bambualeditora.com.br/p/decolonizar-e-preciso/
[17] Aníbal Quijano – Wikipédia, a enciclopédia livre https://pt.wikipedia.org/wiki/An%C3%ADbal_Quijano
[18] PMC Orientalism Western Conceptions | Edward W. Said | Boeken https://www.bol.com/nl/nl/f/orientalism/36292388/
[19] Homi Bhabha utiliza a expressão “artes do presente” para … https://periodicos.ufpe.br/revistas/index.php/realis/article/download/8730/8705/0
[20] DESCOLONIZANDO O CONHECIMENTO https://www.editoracientifica.com.br/artigos/descolonizando-o-conhecimento-reflexoes-sobre-o-pensamento-decolonial-na-america-latina-descolonizando-o-conhecimento
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Prompt
Muito útil esta conversa com o LLM Perplexity 🙂
Só mais uma provocação intelectual: quais são os limites civilizacionais (lógicos, ideológicos e materiais) do pensamento que é possível extrair de uma nova arqueologia do saber europeu moderno e das suas extensões pós-coloniais uma vez absorvidas as contribuições do novo pensamento indígena, cuja autonomia, presumo, depende ainda e sempre das línguas e culturas que colonizaram o ‘novo mundo’, a norte a sul do Equador? Há uma nova utopia bondosa no ar. Ao mesmo tempo que, paradoxalmente, os demónios da guerra regressaram em força. Como fazer, neste caso, a quadratura do círculo formado por uma humanidade simultaneamente globalizada e espartilhada nas suas múltiplas e contraditórias subjetividades, a que as escandalosas diferenças de poder, económico e estatutário, entre pessoas, países e regiões nunca terá sido tão gritante?
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Perplexity
Sua provocação é profunda, e toca o nervo exposto das promessas e paradoxos do nosso tempo. Vou tentar responder circulando suas três camadas: limites civilizacionais do pensamento europeu (e sua crítica), o lugar da diferença/autonomia indígena, e o dilema inescapável de uma humanidade global e dividida.
1. Limites civilizacionais do pensamento europeu moderno (e da crítica pós/neo-colonial)
Toda “arqueologia do saber”, à la Foucault, parte do pressuposto não só da contingência dos nossos sistemas de pensamento, mas também do seu enraizamento histórico: toda crítica só pode ser feita com as ferramentas que herda, mesmo que para negá-las. Assim, ao “absorver” o novo pensamento indígena — seja sob a forma de epistemologias outras (pluriverso, perspectivismo, oralidade, relacionalidade etc.), seja como pressão política e ética contra a “universalidade” ocidental — não se escapa de um certo espaço de tradução obrigatório. A linguagem do reconhecimento (de direitos, epistemologias, estatutos) é, ainda, a linguagem do aparato europeu que consagrou o “novo mundo”, seus Estados, suas línguas, tribunais, direitos, universidades.
O próprio Viveiros de Castro provoca: “o que é um índio visto por um antropólogo se não um modelo invertido do europeu?” A autonomia indígena sempre esbarra no risco de virar “diferente reconhecível”, o outro domesticado pelo aparato moderno, ou (na melhor das hipóteses) uma diferença contrastiva, necessária ao funcionamento simbólico da própria modernidade ocidental.
Em termos materiais, a sobrevivência da pluralidade depende do espaço real para existirem modos de vida alternativos — mas estes dependem do respaldo (legal, político, econômico) do sistema que se diz contestar. Em termos ideológicos e lógicos, há um impasse: não é claro que, para serem ouvidas e influírem, as vozes indígenas possam escapar do ato tradutório que as reinsere no jogo europeu (universidades, pesquisa, ONGs, literatura…).
2. Autonomia indígena e o problema da “nova utopia bondosa”
A sedução do “novo” pensamento indígena (assim como antes da “diferença” pós-colonial) revela um perigo: o de transformar o outro em suplemento simbólico para uma Europa/ocidente cansada de si mesma. A autonomia só seria efetiva se houvesse ruptura na matriz linguística, institucional e jurídica do ocidente, mas toda garantia prática para essa autonomia depende do reconhecimento do “império” (os tribunais que reconhecem terras, as leis, as constituições…).
A “nova utopia bondosa” decolonial — um mundo de culturas mutuamente reconhecidas, reciprocamente autônomas, coexistindo sem dominação — esbarra nos constrangimentos estruturais da economia global e nos limites materiais do planeta. Paradoxalmente, quanto mais o sonho de um pluralismo harmônico parece possível no discurso, mais violenta se revela a realidade do extrativismo, do neocolonialismo ambiental, da desigualdade, das guerras por recursos e do controle policial-digital.
3. A quadratura impossível de um mundo globalizado, dividido e conflituoso
Você captura com precisão o paradoxo do século XXI: a hipercomunicação, globalização dos circuitos, dos riscos (climáticos, virológicos, bélicos, migratórios) e, ao mesmo tempo, a exacerbação das fronteiras, nacionalismos, guerras, desigualdades e exclusões.
A quadratura do círculo talvez consista na tentativa (sempre tensa e instável) de manter aberta uma negociação entre as utopias discursivas — dos direitos, do reconhecimento, da pluriversalidade — e as condições brutais do mundo material: terras indígenas devastadas pelo garimpo, refugiados nos campos, classes médias empurradas pelo desemprego, países esmagados por dívidas. Nunca as diferenças materiais (acesso, poder, liberdade real) foram tão gritantes, e a capacidade de ação coletiva parece ao mesmo tempo mais urgente e mais bloqueada.
Se há saída, ela passa por reconhecer que o pensamento não pode substituir sozinho a ação política concreta — e que nenhuma utopia discursiva (por mais plural, inclusiva, “descolonial”) pode magicamente dissolver a realidade dos tanques, dos tratados comerciais, do extrativismo e dos algoritmos de vigilância.
Talvez o desafio maior — e tragicamente humano — seja recusar qualquer fim da história, qualquer “síntese final”. O circular entre crítica e pragmatismo, entre escuta radical e responsabilidade pelo real, entre a utopia e o balanço dos danos.
Em resumo:
Podemos aprender muito com a crítica pós-colonial e o pensamento indígena, mas seus efeitos reais dependem dos trâmites materiais, institucionais e linguísticos do velho mundo. Utopias são necessárias, mas só sobrevivem se se sujarem na política real. E, sim, talvez nunca tenhamos estado tão próximos de um mundo comum — só que comum não significa harmônico. A história não (re)começa isenta: carrega, com cada novo ciclo de esperança, todos os seus monstros.
Se desejar exemplos históricos, autores que tratam deste impasse — ou sugestões para pensar além deste círculo, com propostas radicais e realistas — posso elaborar!
Sources
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Prompt
Gostaria de conhecer os autores que estudam o impasse…
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Perplexity
Autores que Estudam o Impasse Decolonial e os Limites das Utopias Críticas
Diversos pensadores têm explorado os desafios, paradoxos e limitações dos movimentos decoloniais, do diálogo pós-colonial com saberes indígenas e das tentativas de imaginar novas formas de convivência global. Suas contribuições partem de diferentes tradições disciplinares, mas convergem na análise crítica do “impasse” civilizacional que resulta da tensão entre utopia, autonomia, pluralidade e realidades materiais.
Principais Autores e Suas Perspectivas
1. Walter Mignolo
Um dos principais teóricos dos limites do pensamento pós-colonial, enfatiza a necessidade de distinguir entre projetos realmente decoloniais e reciclagens inconscientes das estruturas coloniais da modernidade. Propõe que só um “pluriverso” epistêmico, baseado em diálogos horizontais com saberes subalternos, pode contornar o impasse das teorias centradas no Ocidente[1][2].
2. Linda Tuhiwai Smith
Autora fundamental sobre metodologias decoloniais, Smith aponta o risco do próprio discurso crítico (inclusive pós-colonial) reapropriar e domesticar saberes indígenas. Questiona a real possibilidade de autonomia indígena sem superar os filtros linguísticos, epistemológicos e institucionais do Ocidente[3][1].
3. Ramon Grosfoguel
Trabalha a partir da crítica ao eurocentrismo e propõe superar as dicotomias entre economia política e estudos culturais, bem como entre universalismo e fundamentalismos identitários. Explora se é possível construir cosmopolitismo realmente plural versus apenas um novo universalismo “incluindo” diferenças sem transformá-las em profundidade[2].
4. Frantz Fanon
Embora anterior ao boom decolonial, Fanon identificou já nos anos 1960 os paradoxos da descolonização formal: a dependência estrutural, os limites do reconhecimento internacional e a permanência das hierarquias coloniais após a independência política. Sua crítica radical inspira diversos autores contemporâneos[4].
5. Bagele Chilisa
Destaca o caráter prático e os desafios da implementação de metodologias indígenas autônomas. Alerta para as tensões ideológicas e pragmáticas envolvidas na tentativa de decolonizar instituições e modos de produção do conhecimento, ressaltando o risco da fragmentação e da ausência de consenso[5].
6. Haifa S. Alfaisal
Analisa como o próprio campo pós-colonial pode perpetuar a marginalização das epistemologias indígenas ao operar por dicotomias e submetê-las ao crivo da epistemologia ocidental. Destaca o “impasse” ético e teórico da aproximação superficial desses campos[1].
7. Nife Ogunbodede, Abiodun Fatai-Abatan, Tope Shola Akinyetun
Esses autores tratam das implicações materiais e estruturais do impasse decolonial: mostram como desigualdades norte-sul, mudanças climáticas e conflitos globais mantêm raízes profundas em legados coloniais que resistem à crítica discursiva, exigindo reformas institucionais profundas para serem de fato superados[6].
8. Arturo Escobar
Discute os limites do “desenvolvimento” e da inclusão da diferença como suplemento simbólico. Alertou que muitas vezes, ao “abraçar” a diferença, o sistema dominante assimila o outro apenas como mais uma peça de seu próprio discurso, sem espaços efetivos para autonomia radical[7].
Temáticas-Chave Abordadas
- Impasse entre reconhecimento/integração da diferença e autonomia real dos saberes outros
- Limites do multiculturalismo e da tradução intercultural pela via institucional ocidental
- Persistência de desigualdades materiais e estruturas globais de dominação
- Dilemas da utopia pluralista face à realidade do extrativismo, crises ecológicas e guerras
- Autocrítica dos próprios discursos decoloniais e pós-coloniais, que podem reatualizar a assimetria que pretendem combater
Obras e Leituras Importantes
| Autor | Obra Relevante | Tema Central |
|---|---|---|
| Walter Mignolo | “Colonialidade: o lado escuro da modernidade” | Crítica pluralista à colonialidade epistêmica |
| Linda Tuhiwai Smith | “Decolonizing Methodologies” | Limites da pesquisa decolonial |
| Ramon Grosfoguel | “Decolonizing Post-Colonial Studies and Paradigms of Political-Economy” | Impasse do universalismo vs. pluralismo |
| Frantz Fanon | “Os condenados da terra” | Descolonização e seus paradoxos |
| Bagele Chilisa | “Indigenous Research Methodologies” | Pragmática da autonomia epistemológica |
| Haifa S. Alfaisal | “Indigenous Epistemology and the Decolonisation of Postcolonialism” | Crítica da dicotomia pós-colonial/indígena |
| Ogunbodede, Fatai-Abatan, Akinyetun | “Postcolonialism and the Enduring Legacies of Inequality in the Global South” | Estruturas materiais do impasse decolonial |
| Arturo Escobar | “Encountering Development” | Limites da diferença no desenvolvimento |
Esses autores e obras fornecem as principais categorias, críticas e diagnósticos sobre o impasse civilizacional, epistemológico, político e pragmático do presente global, onde utopias plurais colidem com desigualdades gritantes e o risco da “tradução” ou assimilação dos saberes outros persiste[3][5][6][2][1][7].
Sources
[1] Indigenous Epistemology and the https://repository.globethics.net/bitstream/handle/20.500.12424/190078/Alfaisal_SSPT_19.pdf
[2] Decolonizing Post-Colonial Studies and Paradigms of Political-Economy: Transmodernity, Decolonial Thinking, and Global Coloniality https://escholarship.org/content/qt21k6t3fq/qt21k6t3fq_noSplash_b2c89320b68d270021e4826ff96e26db.pdf?t=ll4zsw
[3] A decolonial reading list – Bloomsbury Publishing https://www.bloomsbury.com/uk/discover/bloomsbury-academic/blog/book-round-ups/a-decolonial-reading-list/
[4] Fanonian Art Practices: Toward A Decolonial Grammar of Being https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/00219347231173151
[5] Pathways for pragmatic decolonisation in research https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12149805/
[6] 13533 https://casopisi.junis.ni.ac.rs/index.php/FULawPol/article/download/13533/5740
[7] Indigenous knowledges: a postcolonial caution https://core.ac.uk/download/pdf/188552350.pdf
[8] Transformative research and the decolonial futures of the University … https://blog.uantwerpen.be/iob/where-the-rubber-meets-the-road-transformative-research-and-the-decolonial-futures-of-the-university-of-antwerp/
[9] Utopia and the Decolonial Imperative | Utopian Studies https://scholarlypublishingcollective.org/psup/utopian-studies/article/35/2-3/623/394461/Utopia-and-the-Decolonial-Imperative
[10] a Reflexive, Decolonial and Feminist Perspective to Study Women’s … https://popups.uliege.be/1370-2262/index.php?id=1884
[11] Indigenous Epistemology and the Decolonisation of https://repository.globethics.net/bitstream/handle/20.500.12424/190078/Alfaisal_SSPT_19.pdf?sequence=1&isAllowed=y
[12] Fraught subjects: decolonial approaches to racialized international … https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/01419870.2023.2211649
[13] Diacritical Remarks on the Stories of Interna” by Britt L.A.Q. (Haadiya … https://fount.aucegypt.edu/etds/1923/
[14] The Postcolonial and the Global on JSTOR https://www.jstor.org/stable/10.5749/j.ctttszqx
[15] Colonial Legacies: Political And Economic Inequalities https://thrivabilitymatters.org/colonial-legacies-political-and-economic-inequalities/
[16] Indigenous Knowledges and Development: A Postcolonial Caution https://www.jstor.org/stable/3993739
[17] Decolonial Comparative Law – jstor https://www.jstor.org/stable/45419021
[18] [PDF] The Impact of Postcolonial Literature on Critical Thinking and … https://qjssh.com.pk/index.php/qjssh/article/download/23/17/34
[19] [PDF] a philosophical justification of indigenous rights – HARVEST (uSask) https://harvest.usask.ca/bitstream/10388/8586/1/GEMOH-THESIS-2018.pdf
[20] Disrupting the gender and development impasse in university … https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/09614524.2024.2332277
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Prompt
Muito esclarecedor do estado avançado do pensamento pós-colonial. Pensando, porém, na frase dos Menomini, “White men are wordy”, creio que deveríamos lançar um programa semelhante ao Programa Erasmus, criado pela União Europeia em 1987, mais amplo, talvez financiado por uma Fundação Mundial autónoma que promovesse a circulação aleatória dos humanos pelo planeta, com o objetivo de promover um diálogo sem palavras (ou pelo menos, com um mínimo de retórica) e a tradução in situ imprescindível. Pessoas comuns de diferentes continentes, civilizações e modos de vida teriam assim a oportunidade de se verem e contatarem pela primeira vez, sem filtros, nem preconceitos.
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Perplexity
Sua proposta se destaca pela originalidade e ousadia: conceber um programa global de circulação aleatória de pessoas, inspirado no Erasmus, mas destinado a criar encontros intercivilizacionais sem o predomínio da linguagem abstrata, intelectualizada ou retórica — uma “tradução in situ” onde o contato direto precede a discussão discursiva.
Essa ideia responde exemplarmente à crítica expressa na frase dos Menomini (“White men are wordy”): ela reconhece que o excesso de linguagem, típico das elites letradas ocidentais, muitas vezes se interpõe à experiência autêntica do outro, mediatizando o encontro por códigos culturais, teóricos e retóricos específicos. Em vez disso, sua proposta sugere um deslocamento radical — experiência antes da explicação, convivência antes da significação.
Relevância e Viabilidade
- Potencial transformador: Um programa desse tipo poderia desconstruir os mecanismos tradicionais de mediação cultural e acadêmica, permitindo que pessoas comuns, de origens radicalmente distintas, experimentem o estranhamento mútuo na prática cotidiana, não intermediado por discursos especializados, sem a automatização dos preconceitos associados a línguas e símbolos.
- Tradução in situ: O encontro físico, sensorial e afetivo pode promover formas de entendimento intuitivo, corporal e emocional que antecedem (e desafiam) a mediação linguística formal — replicando, de certo modo, a dinâmica dos primeiros contatos interétnicos, muitas vezes pautada pelo gesto, olhar, hospitalidade, troca material, trabalho comum.
- Superação de filtros e preconceitos: Ao romper com os circuitos pré-definidos do turismo, do intercâmbio acadêmico ou profissional, abre-se espaço para um choque de realidades capaz de desestabilizar as narrativas e identidades prévias — um laboratório vivo de convivência e tradução radical.
Limites, Desafios e Impasses
- Infraestrutura e recursos: A criação de uma Fundação Mundial genuinamente autônoma — que não reproduza hierarquias de poder, critérios eurocêntricos ou interesses geopolíticos — seria um obstáculo considerável. Como garantir a equidade de acesso, segurança, respeito às diferenças e formas plurais de hospitalidade?
- Tradução e mediação: Embora a premissa seja “mínimo de palavras”, a tradução — mesmo a mais empática — nunca é neutra. Como evitar que os mal-entendidos e diferenças culturais resultem em choques destrutivos, interpretações violentas, ou exotização?
- Impacto real: O contato direto, se não for acompanhado de condições materiais para troca justa e reconhecimento mútuo, pode reencontrar as assimetrias históricas (extrativismo, disparidades econômicas, desigualdades de poder): encontros não apagam estruturas globais.
- Gestão ética e representativa: Como evitar que um projeto dessa escala se converta em novo experimento sobre populações vulneráveis, ou em objeto de desejo por elites cosmopolitas, reproduzindo dinâmicas do “olhar” ocidental sobre o outro?
Correspondência com Ideias Contemporâneas
Seu projeto dialoga com reflexões de autores como Ivan Illich (sobre convivência e hospitalidade radical), Rancière (sobre o encontro entre iguais e a desierarquização do saber), e remete também a iniciativas contemporâneas de “diálogo do Sul Global”, intercâmbios indígenas, e até experiências artísticas de residência e cocriação que privilegiam o contato sensível e corporal.
Ele, porém, vai além ao propor a aleatoriedade como método — uma resposta moderna à crítica pós-colonial da repetição de circuitos eurocêntricos tradicionais e da filtragem seletiva de elites educadas.
Consideração Final
O maior desafio intelectual e político de sua ideia reside em sua radicalidade anti-retórica: criar as condições para que a verdadeira alteridade se faça sentir antes de ser nomeada, explicada ou interpretada — e, talvez, permitir que o silêncio, o gesto e a experiência de mundo comuniquem o que as palavras não alcançam. É uma utopia de presença e de compresença, que reconhece o desequilíbrio das palavras e aposta na possibilidade de um sentido compartilhado, forjado no encontro real.
Se quiser explorar experiências históricas ou artísticas que tentaram algo semelhante — ou debater formas concretas de viabilizar tal programa frente aos atuais cenários de conflito e desigualdade global — posso aprofundar com casos, concepções e desafios específicos.
Sources
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Prompt
Não disse que seria um projeto fácil 😉
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Perplexity
Essa ressalva é preciosa e espirituosa — e, de fato, toda utopia digna do nome carrega consigo as marcas da dificuldade (e, talvez, da impossibilidade produtiva). Propostas como a sua existem para tensionar o real e, à maneira das “experiências de pensamento” filosóficas, abrem espaço para imaginar alternativas lá onde o pragmatismo excessivo só vê impasses.
Pensar num “Erasmus mundial da alteridade radical”, como você descreve, é menos um plano de engenharia social que um gesto poético e político: propõe uma inversão imaginária das prioridades civilizacionais (experiência antes da retórica, convivência antes da interpretação, silêncio antes do discurso).
É nesse campo do impossível que as ideias mais férteis germinam, especialmente quando as palavras dos “white men” já não ultrapassam o espelho.
Se no mundo real houver espaço, serão por fissuras, ensaios locais, pequenas migrações de sentido — e talvez por ali a utopia se insinue, humilde, entre o excesso de “wordiness” e a urgência do encontro vivo. No mínimo, projetos assim nos obrigam a repensar porque, afinal, ainda falamos tanto… e até que ponto queremos (e podemos) realmente escutar.
Fique à vontade para propor mais linhas de fuga, distopias ou utopias — ou convidar para afiar mais paradoxos…
O impossível é sempre um bom começo para a filosofia.
Sources
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ACP
Merci 🙂
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Perplexity
De rien ! 😊
Foi um prazer conversar e explorar ideias tão estimulantes.
Quando quiser voltar com mais provocações filosóficas, utopias ou simples curiosidades, estarei por aqui.
Bonne route dans tes pensées et tes inventions ! 🌍✨
Sources
Legendas as imagens
1) Picture of Amiskquew, a Menominee warrior, painted by Charles Bird King (1785-1862). Lithographed, colored and published ca. 1836-44 by J.T. Bowen, Philadelphia. SI.1990.002 H.10 1/4″ X W.6 3/8″ (octavo)
2) Dan Waupoose, a Menomini chief kneeling with a rifle and wearing a feathered headdress, Algiers, La. U.S. Navy photograph, August 24, 1943.
American Indian Select List number 192.
Date Taken on 24 August 1943
Source:
https://www.archives.gov/research/native-americans/pictures/select-list-192.html
3) Laura Aguilar. Three Eagles Flying, 1990, Three Gelatin silver prints, 24 x 20 in. each
Source: https://www.lauraaguilarphotography.com/works/threeeaglesflying
4) Seba Calfuqueo, A imagen y semejanza, 2018, installation, photograph, 110 x 65 cm, 2 photographs, 2 x 4 cm, shelf and magnifier, register by Diego Argote © Courtesy Seba Calfuqueo.
Source:
https://awarewomenartists.com/en/magazine/representation-et-participation-artistes-indigenes-latino-americaines-dun-siecle-a-lautre/
5) Portrait of Cecilia Vicuña by Bruno Savelli
Source:
https://awarewomenartists.com/
https://awarewomenartists.com/en/artiste/cecilia-vicuna/
